Futebol em Debate

Um blog com comentários do que acontece no futebol, em especial no futebol paulista

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Terra Blog

07.07.09

Alma palmeirense

categorias: Imprensa

Texto brilhante de quem soube captar a alma da torcida palmeirense.

Ao futuro técnico do Palmeiras

Ugo Giorgetti, no OESP

Seria muito importante para o futuro treinador do Palmeiras, seja ele quem for, tentar entender como é a torcida do time que vai treinar. Isso vale também para jogadores. Como se trata de uma torcida muito grande, talvez esteja completamente errado nas minhas conclusões. Mas tenho observado seu comportamento por anos e anos. Portanto posso, humildemente, arriscar algumas considerações.

Não esperem, futuros treinadores e jogadores, um incondicional apoio dos torcedores. Ele nunca virá. Não esperem vibração e empolgação apenas por solidariedade ao time. O palmeirense tal qual eu o vejo não vai ao estádio para empurrar o time. Vai para ver o time. O time é que tem que cumprir seu papel e jogar bola.

Essa torcida se acostumou ao longo dos anos a glorificar, não o jogador vibrante, raçudo, que disputa cada bola e sua a camisa. É claro que um ou dois desses jogadores não fazem mal a ninguém. Portanto não é estranho que Pierre, como foi Dudu no passado, seja ídolo. Mas um Pierre está mais do que bom. Ela aprecia realmente é o craque. Já houve jogadores lendários no Palmeiras que detestavam a mais leve dividida, Jorge Mendonça, entre muitos outros. Mas jogava. E não era burro.

A torcida o Palmeiras tem particular aversão pelo jogador, digamos, de inteligência um pouco limitada. Ela precisa, necessita e aprecia categoria e classe. O maior ídolo do clube em anos não tão distantes, Ademir da Guia, não era nenhum lutador, nem corria com entusiasmo atrás de cada bola. E foi, mais do que aplaudido, venerado por anos.

Entendo perfeitamente as queixas que treinadores e jogadores fazem quanto ao procedimento da torcida. Mas, por favor, compreendam que esse é um time diferente. E tem uma torcida diferente. Ela não acha que tem qualquer poder de mudar o resultado e nem quer ter. Ao contrário da torcida do Corinthians, por exemplo, não tem superstições nem acredita em forças além das que estão no campo. Acredita no poder do time e espera vê-lo expressado.

Não aceita de forma alguma qualquer jogador. É extremamente observadora e sabe distinguir rapidamente as limitações de um jogador por pequenos detalhes, mínimas pistas, que talvez passassem despercebidos por outras torcidas. E ao identificar o jogador inadequado é impiedosa.

Por isso o Parque Antártica é tão perigoso. O time entra em campo e, mesmo quando a torcida desconfia de alguns jogadores, tudo é uma festa. Dura pouco. Lá pelos vinte minutos o torcedor, realista como é, já se convenceu de que jogadores ruins continuam ruins e que não se operou nenhum milagre desde a última partida. Quando o primeiro tempo acaba em 0 a 0, o time já sai para o vestiário debaixo de vaias. E o técnico também. E também os dirigentes.

Os treinadores, em especial, sempre reclamaram muito da chamada “turma do amendoim”. Mas ela é o que há de mais representativo da torcida do Palmeiras. Ela é igual ao resto da torcida, só mais ouvida porque seu lugar fica logo atrás do banco de reservas, o que, aliás, é uma sorte para os treinadores. Se o banco ficasse do lado das populares seria ainda pior. Mas é essa atitude intolerante, que recusa que o time seja menor do que sempre foi, que mantém o que há de grande no Palmeiras. Por isso, caros treinadores e jogadores, tenham paciência com os torcedores, porque eles não terão nenhuma paciência com vocês.

O São Paulo que abra os olhos

categorias: Série A


O que mais me assustou na derrota do São Paulo para o Coritiba por 2 a 0 foi a falta de reação da equipe paulista. Não conseguia sair da marcação adversária. É verdade que o Coxa jogou bem, mas a apatia tricolor era assustadora. Ficava tocando de lado, sem jogada alguma, sem tentativa nenhuma...

Dagoberto pegava a bola, saía correndo e distribuía cotovelo pra todo lado. Depois, André Dias, visivelmente sem cabeça, deu um carrinho forte e foi expulso, complicando ainda mais as coisas.

O Coritiba jogou muito bem, é verdade, especialmente Marcelinho Paraíba. Mas a apatia do São Paulo me chamou mais a atenção do que tudo.

Fiquei sinceramente preocupado. Ou a atitude muda logo ou o São Paulo vai entrar naquela maré que empurra cada vez mais para baixo, até não ter forças para subir. Fatores para isso já tem: apatia, desunião, jogadores bons em má fase, jogadores bons que pensam que vão sair da situação a qualquer momento... Eu não acredito nessa segunda opção. Mas não descarto totalmente.

O São Paulo tem jogadores e técnico para escapar da segunda alternativa. Mas é melhor não brincar com fogo. É melhor abrir bem os olhos, mesmo com apenas nove rodadas.

06.07.09

Pérola - não preciso dizer nada

categorias: Imprensa


"O zagueiro fez falta no Obina, e foi dentro da área, mas daí a marcar pênalti vai uma distância!"

De Carlos Lino, comentarista do Sportv, ontem, durante Avaí 0 x 3 Palmeiras. 

03.07.09

A "coerência" fantástica da Conmebol

categorias: Libertadores


Se a Conmebol fosse coerente e segura das coisas que faz, o Cruzeiro deveria ser imediatamente proclamado campeão da Libertadores. Afinal, a Argentina tem proporcionalmente tantos ou mais casos de gripe suína agora que o México à época das oitavas de final da mesma competição e não deveria ser considerado adequado jogar em La Plata. Na ocasião das oitavas de final, vocês se lembram bem, os times mexicanos saíram da competição e São Paulo e Nacional-URU se classificaram automaticamente, sem precisar jogar - uma vergonha que manchou a competição até o ano que vem, visto que saíram na atual, mas entrarão na próxima já nas oitavas de final - um remendo que saiu muito feio.

É tão evidente que antes foi tomada uma posição meramente política que, agora, a Conmebol se contradiz "na boa". Afinal, antes era o México, país sem força política (ainda bem) na América do Sul; agora, é a Argentina.

A minha opinião? São Paulo e Nacional deveriam ter jogado no México, assim como Cruzeiro deveria jogar na Argentina. A não ser que o governo nacional desses países afirmassem não terem condições alguma (sanitárias e segurança) de abrigar eventos nenhum. Lógico que a saúde das pessoas são mais importantes que qualquer outra coisa. Mas acreditem: as decisões da Conmebol (sejam elas a favor ou não do jogo) colocam as pessoas em último lugar. Em primeiro, vem a política.

A última coisa para o qual os políticos da Conmebol olham é para as pesosas. Só têm olhos para o próprio umbigo.

02.07.09

Mamãe, manipulei uma estatística!

categorias: Imprensa


Esqueça um pouco a discussão sobre Robertão e Taça Brasil. Só por um momento, já que a CBF parece ter esquecido e nem toca no assunto.
Nesse caso, como uma licença poética apenas, vale a soma dos títulos nacionais disponíveis nestes nossos tempos. O Corinthians tem quatro títulos brasileiros, três Copas do Brasil. O Flamengo com seus cinco Brasileiros e duas Copas do Brasil é o único igual: 7 taças.

Essa aberração acima é de Paulo Vinícius Coelho.
Ele dá uma aula explícita de como manipular estatísticas. E afirma que está manipulando através da "licença poética".  Eu não dou licença poética nehuma. Porque ele é muito melhor do que isso. 

O que significa "nossos tempos", PVC? 1971 para cá? 1970  já faz parte dos tempos dos outros? Tenha dó. PVC não precisa disso.

Parece aquele cidadão tarado por estatística que fica fazendo contas e mais contas e de repente acha algo bem curioso e que vai agradar um montão de gente. Mas daí, descobre um furo. O que faz? Tira uma coisa aqui, outra ali, ajeita as coisas de acordo com uma idéia que ele teve, não com os fatos... Para não ficar feio demais, anuncia que está fazendo isso. Claro, é melhor avisar a manipulação do que não avisar. Mas o aviso não tira a invalidez da estatística lida de maneira torta!

"Informação é o nosso esporte", lema que ele adora, por um momento foi por água abaixo.

PS: a estatística correta, sem maquiagem e sem corte aleatório no tempo: o Palmeiras tem 9 taças nacionais; o Santos, 8. Flamengo e Corinthians, 7; São Paulo, 6... e daí para baixo.